
Muito oportuna a posição de Lula na França, defendendo a criação de um Estado Palestino. O secretário executivo do prêmio que recebeu, Alione Traoré, colocou nas mãos do presidente novas responsabilidades: “Com este prêmio o senhor assume novas responsabilidades na história”. Então vamos a um pouco de história:
A evolução da historiografia inventou o conceito de nação nos séculos 19 e 20. Já no colégio, um professor costumava brincar que nação é um pedaço de terra, cercado de arame farpado, com um pau comprido no meio, no alto do qual amarravam pedaços de panos coloridos. E pessoas iguais, de cercados diferentes, se acreditavam igualmente diferentes.
A última nação inventada foi Eretz Israel, a Terra de Israel. Os israelenses se dizem descendentes de Moisés, Davi e Salomão, baseados nos cinco primeiros livros da BÃblia. Mas os próprios historiadores judeus Isaak Markus Jost e Léopold Zunz não consideram o tal livro sagrado como livro de história, e sim de teologia judaica depois da dita destruição do Primeiro Templo no século 6 a.C.
Nos anos 80, descobertas arqueológicas desmontaram a estória judaica, desmentindo a possibilidade da fuga dos judeus do Egito para a tal terra prometida, conduzida por Moisés, pelo simples fato desta terra também pertencer ao Egito na época. Não houve revolta de escravos na terra dos faraós. Tal episódio faz parte da tentativa de forjar uma nacionalidade que atende a uma aludida perseguição de 2 mil anos.
Voltando um pouco a 1850, outro historiador judeu – Heinrich Graetz – inventou uma “visão nacional da BÃblia”, nacional do ponto de vista judaico, que abrange a suposta fuga do Egito e também a retirada de Abraão para Canaã, além do tal reinado unificado de Davi e Salomão. Tudo invenção para forçar um encadeamento genealógico contÃnuo para o povo judeu.
Se Hitler realizou monstruosas pesquisas genéticas, a partir de 1970 Israel também se valeu da ciência num esforço para demonstrar a proximidade genética dos judeus, na biologia molecular, onde um cromossomo Y masculino ganhou destaque, ocupando os focos dos holofotes junto com uma Clio judia, buscando uma definição etnocentrista e alimentando a distância entre judeus e não-judeus.
As descobertas arqueológicas e etnográficas dos anos 80 provam que o exÃlio judeu no ano 70 d.C. também é uma invenção, pois os romanos nunca exilaram povo nenhum em todo o oriente do Mediterrâneo. Os habitantes do reino da Judéia continuaram a viver em suas terras mesmo depois da destruição do Segundo Templo. Uma parte deste povo se converteu ao cristianismo no século 4, mas a maioria aderiu ao islamismo no século 7.
Quem diz isto não é um fundamentalista islâmico, e sim Yitzhak ben Zvi, um dos presidentes de Israel e também David ben Gurion, fundador do paÃs judeu, que escreveram sobre o assunto. Disseram que os camponeses da Palestina eram descendentes dos habitantes da Judéia. Podem conferir em Eretz Israel no Passado e no Presente (de autoria dos dois) em Jerusalém e em Nossa População no PaÃs (de Yitzhak).
O povo judeu é uma colcha de retalhos de dominações que abrange um perÃodo do século 2 a.C. até 2 d.C. A dinastia dos hasmoneus forçou a conversão os idumeus ao sul da Judéia e os itureus da Galiléia. No século 1 d.C. surgiu um reinado judeu de Adiabena, no Curdistão, e a prática da conversão – autorizadas pela Mixná e pelo Talmude – foram testemunhadas e temidas pelos escritores latinos Horácio, Sêneca, Flávio Josefo, Juvenal e Tácito.
Não pararam por aÃ. No século 4 surgiu o reino judeu de Himiar, onde é hoje o Iêmen. Até na Ãfrica do Norte existiram tribos judaizadas, com figuras como a rainha judia Dihya-el-Kahina. Estas tribos participaram da conquista da PenÃnsula Ibérica, provando que, em se tratando de invadir, vale até uma simbiose entre judeus e muçulmanos, o que é possÃvel constatar nas próprias influências hispano-árabes.
E a saga continuou no século 8, com a maior “conversão em massa” de que se tem notÃcia, entre o mar Negro e o mar Cáspio, no reino Cazar. O judaÃsmo se expandiu do Cáucaso até as terras onde hoje está a Ucrânia. Só sossegaram com as invasões dos mongóis no século 13, sendo expulsos para o leste europeu onde se juntaram aos judeus das regiões eslavas do sul e das terras onde é hoje a Alemanha. A lÃngua Ãdiche é eslavo-germânica.
Toda essa história foi abafada a partir de 1960, para induzir os que se consideram puros judeus – 25% dos habitantes de Israel não são judeus – a se vangloriar de uma nação judia, em nome da qual discriminam os supostos perseguidores de 2 séculos. Debaixo da asa dos EUA, que lhes venderam as armas, o povo judeu assumiu uma prostituição bélica.